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Dan Weiss Trio
Timshel
CD
Sunnyside Records 2010

 

Conhecemos Dan Weiss em vários contextos, entre os quais integrando os grupos de David Binney, como um dos mais inteligentes e engenhosos bateristas da nova geração. Há três anos no entanto, Weiss revelou uma outra faceta, como compositor, num intrigante mas excelente disco para a Tone Of A Pitch, Now Yes When. Timshell, gravado em 2008 em trio com Jacob Sacks e Thomas Morgan, confirma-o como um autor absolutamente notável, à frente de um trio rigorosamente equilátero e uma música igualmente fascinante e intrigante. Para isso contribuirá à partida o facto de o líder ser o baterista e não o «dono» do instrumento mais naturalmente proeminente, o piano.
Não se trata de um disco de adesão fácil, até pela sua complexidade e diversidade de referências, que vão da transposição das concepções melódicas próprias da música indiana e da tabla para a bateria, à filosofia e misticismo presentes de igual forma nas culturas indiana e judaica, a referências urbanas e literárias corporizadas na interpretação de um diálogo pela bateria entre Al Pacino e Jack Lemmon no filme Glenngarry Glen Ross («Sucesso a qualquer preço»), ao tema central do disco que remete para a o livro de Steinbeck East of Eden («A leste do paraíso»).
Dan Weiss socorre-se de recursos menos próprio na tradição Jazz como o sejam uma invulgar utilização do silêncio, mas também repetições ou intrincadas síncopes que sugerem o estudo das músicas eruditas ocidentais e que impedem uma audição pacífica, mesmo se é capaz de se abandonar ao lirismo e paixão de Bill Evans ou, ao invés, se revelar denso e impetuoso.
Timshell foi composto como uma suite, ocasionalmente sem espaços entre os temas, onde o fio condutor talvez seja afinal a personalidade complexa e inquieta de Dan Weiss.
Intrigante e fascinante.

Dan Weiss (bat)
Jacob Sacks (p)
Thomas Morgan (ctb)

(Este texto foi publicado em Jazz 6/4 #8)